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Advocacia Empresarial e Princípios Estratégicos
de Negócios
A
advocacia empresarial, antes de se constituir num mero
exercício profissional voltado a atender os interesses
de empresas, pressupõe o conhecimento do negócio
do cliente. Este princípio estratégico
de negócios é basilar. E como pode a advocacia
empresarial inovar em sua prestação de
serviços utilizando-se desse conceito?
Refletir
sobre essa questão faz aflorar desafios e oportunidades
que, criativamente abordados, são capazes de
permitir uma ampliação significativa da
contribuição que os escritórios
de advocacia voltados para essa área prestam
às organizações.
A
advocacia empresarial consiste numa prestação
de serviços altamente especializada, a qual depende
de profissionais capacitados e com domínio profundo
e abrangente de um corpo de conhecimentos interligados
e, em grande parte, confusamente interligados.
A
essência da missão da advocacia empresarial
é garantir a segurança legal e formal
à extensa e complexa teia das relações
que constituem o universo dos negócios. Acionistas,
fornecedores, empregados, consultores, prestadores de
serviços, atividades terceirizadas, toda a interface
com o aparelho governamental e, claro, os clientes.
Um acontecer efervescente, imerso num cipoal regulador
intrincado, emperrado e despreparado, incapaz de acompanhar
a dinâmica da realidade.
O
advogado é o profissional cujo conhecimento promove
a adequação entre as atividades empresariais
e o seu conjunto de normas reguladoras, conferindo-lhes
formalidade e legalidade. Essa capacidade de adequação
tem um enorme potencial de contribuição
a ser desenvolvido, apropriado e revertido em favor
das empresas.
Os
serviços advocatícios são, salvo
poucas e honrosas exceções, exercidos
em função da demanda dos clientes. Estes,
voltados para suas atividades-fim, situa-se com dificuldades
no universo legislativo e não estão aptos
a perceber a complexidade de suas interconexões.
Solicitam os serviços conforme suas necessidades
e os advogados os executam. Rarissimamente observar-se
um escritório de advocacia tomando a iniciativa
de propor uma política de contratos a seu cliente,
como decorrência de um entendimento mais elaborado
de qual é o seu respectivo negócio.
Isso
restringe o potencial de contribuição
do escritório e, via de conseqüência,
o potencial de aproveitamento por parte da empresa,
deixando-se de resolver problemas, superar obstáculos,
aproveitar oportunidades e obter benefícios que
o conhecimento específico dos advogados pode
proporcionar.
O
escritório ciente do princípio estratégico
fundamental de conhecer o negócio de seus clientes
ganha uma condição privilegiada de agregar
valor aos serviços prestados e pode ter forte
impacto nos resultados das empresas. Estreitando as
relações com elas e aprofundando a compreensão
de seus negócios, os advogados poderão
canalizar seus conhecimentos, realizar pesquisas direcionadas,
investigar particularidades para descortinar horizontes
e pavimentar caminhos dentro do aparelho regulador,
desenvolvendo soluções específicas
capazes de colocar as normas a favor das organizações,
proporcionando economias consideráveis e benefícios
inesperados.
Do
reembolso de tributos indevidamente pagos à correta
arquitetura de uma gestão ambiental; de uma política
inteligente para a exploração de uma marca
ou patente à flexibilização de
exigências abusivas em um contrato de adesão;
de uma engenharia societária inovadora, capaz
de minimizar o impacto fiscal sobre resultados consolidados
a um maior poder de barganha numa negociação
de seguros, como decorrência de um contrato consistentemente
elaborado; da estrutura de recursos humanos devidamente
ordenados e formalizada de acordo com os parâmetros
legais à flexibilização das normas
trabalhistas e suas implicações, são
apenas alguns exemplos de geração de valor
que a advocacia empresarial pode proporcionar.
Conhecer
o negócio dos clientes implica em assumir uma
posição pró-ativa que não
se questiona a forma atual em que os serviços
são prestados, mas também inova e amplia
os limites da advocacia empresarial, personalizando
o atendimento e aprofundando os vínculos, propiciando
a construção de uma verdadeira parceria
voltada para a descoberta e o aproveitamento de oportunidades
capazes de agregar valor para o cliente, lançando
alicerces consistentes para a criação
de relações profissionais duradouras baseadas
na lealdade e na confiança entre as partes.
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